De corpo cansado deito-me pra nunca mais levantar, o corpo desaba e mergulha no conforto dos lençóis. A musculatura relaxa, os olhos pesam, a respiração ganha ritmo, mas a cabeça começa. Planos, projetos, mágoas, saudades, utopias e histórias criadas. O corpo rola no compasso da rajada de sinapses que agora me encontro, de repente o dia seguinte começa a ser vivido antes do tempo, a preocupação por uma boa noite de sono torna-se prioridade. Uma prioridade difícil de conquistar em noites como essa.
Desligo o ventilador afim de trocar a melodia, afinal os pingos d'água dessa chuva fina podem funcionar. Nessa noite não, nessa noite esses pingos não passam de pingos, nem sequer formam uma melodia, são só pingos. E o corpo rola, o braço se apoia debaixo da cabeça, mas ela não pára. Quanto mais penso em parar de pensar, mais ela pensa em fazê-lo e mais ela pensa, logo vai pra outros lugares e nunca chega no mundo dos sonhos tão almejado.
Ligo o iPod. Tom Jobim, Frank Sinatra, Peggy Lee, Norah Jones... Não há jazz nesse mundo que me faça dormir. Bach, Brahms, Beethoven, Vivaldi... Não há gênio nesse mundo que me apague. Cânticos indígenas norte-americanos, finalmente uma brisa de sonho permeia minha fronte. Não passa disso, são só flautas, tambores e pajés de voz rouca, o sono nunca vem. Tenho que acordar daqui a pouco, a única ideia que tive foi essa, sempre a minha última opção. Coitado de mim quando, por alguma razão, eu já não puder escrever. Mas funciona, as letras ganham um desfoque contínuo e as ideias fluem pra essa tela brilhante.
Deixo aqui cada sentimento, posição ou movimento. Deixo aqui o registro de que ela voltou, não senti sua falta nem por um segundo, mas ela voltou. E a partir de agora eu sei que mais textos inúteis serão escritos por sua causa.
Insônia, me deixe em paz.
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