Chega um momento que o cansaço é tamanho que não basta apenas dormir. Você pode até dormir e amenizar uma parte da fadiga, mas os pensamentos fluem de maneira forçada, a cabeça só não dói porque ela sabe que eu não tenho tempo pra dores de cabeça. O que mais me conforta, e incomoda ao mesmo tempo, é saber que eu não sou o único nessa nau, existe um número significativo de sofredores assim como eu. E arrisco dizer que tem muitos que fazem até mais do que eu faço. Somos nós, sonhadores.
Eu não tenho certeza de nada, no entanto eu busco o que eu alcanço com todas as garras que ainda me restam. Vai que um dia a caminho do colégio eu perca uma de minhas mãos? E é aí que o sonho acaba, todos esses anos não valeram de nada quando comparados à conquista não experimentada. Assim, eu devo acreditar na integridade plena dessas másculas mãos que arrancam uns suspiros de fofura uma vez ou outra.
Às vezes a vontade dominante é a de jogar tudo fora, voltar pra casa, dormir por um século e esquecer que a vida é tão severa. Mas é uma vontade bem rápida, só de pensar em deixar de seguir meu sonho por um mero fator fisiológico eu me sinto um fraco, um idiota fraco, sem foco e sem remédio.
Continuo me prendendo às pessoas do passado, mas finjo que elas estão no meu presente por meio de estórias mentais e essas estão ocorrendo no meu futuro. Acho que a palavra que sobra para esse futuro borrado é esperança. Esperança em manter minhas mãos; esperança em não ser fraco; esperança em continuar amando; esperança em continuar lembrando; esperança em continuar criando; esperança em esperança.
Pra não desistir das coisas importantes da minha vida eu as desenho, assim eu fixo no papel o que eu amo de verdade e isso não me leva a abrir mão do que eu quero. Com o brasão da minha futura República não foi diferente, apesar de só o projeto bruto e preto e branco estar em um papel de verdade.

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