sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Três e pouco

Começo a escrever, com motivos e sem motivação, hoje é minha obrigação. Não sou narcisista, nem sei se já escrevi na data do meu aniversário, acredito que não. Dizer que estou sozinho já não é mais necessário, sei que pela manhã passarei em branco. Minha prima chega do plantão às seis, ela, seu jaleco e eu de cueca tomando meu leite puro, tudo branco. Ganho um beliscão na costela e um beijo cansado na bochecha.

Agora tenho certeza de que nunca escrevi no meu aniversário, seria marcante. Mas não tão marcante quanto o meu aniversário de 4 anos, em que eu comemorava sozinho e sem entender, enquanto a maioria chorava pela morte do meu bisavô. E não tão marcante quanto a data em que esperaram dar meia-noite para me ligar, voz simples e palavras bobas, normais, mas que congelam a barriga de qualquer um.

Sei que vou acordar amanhã e não ganhar o abraço do meu irmão ou o aperto de minha mãe, mas sei também que terei o cumprimento de outros irmãos, entre uma brutalidade e outra saberei que valeu a pena. Amizade, palavra tão difícil de dizer ou expressar, amar está mais fácil. Ou só amo e ainda não sei.

Não tenho dezenove anos (ainda); não passei em medicina; não tenho uma menina; não tenho duas avós; não tenho medo. Eu, sem trilha sonora ou calos nos dedos, escrevo a saudade. Não tenho tempo de pensar no presente, vivi um ano projetando o futuro e almejando o passado. Um passado tão próximo, mas que parece fazer parte de outra existência, uma vida em que o sorriso era tão fácil quanto deixar de dormir por bons momentos.

A distância e sempre a distância, desculpa clara, mas real. Não tenho a mínima ideia de como as coisas seriam sem ela, mas descubro agora que enquanto ela existir o que vivi não passou de uma fase. Uma fase de rabiscos, pulseiras, pingente e livros atrasados. Valorizo tudo isso, entretanto, não creio mais em quase nada. Em um futuro próximo talvez, mas por enquanto deixo minhas marcas e me despeço de todas as suas. Conhecerei desconhecidos, ou talvez conheça as pessoas que sempre amei, não importa, pois deixarei para depois. Quando me confundo prefiro me retirar, cometer um equívoco poderia ser o fim de tudo. Deixarei que o futuro fale por si só. Um olá, um beijo no rosto, uma breve conversa, um convite ou simplesmente um adeus.

Hoje comemorarei, como nunca. Rodeado por minha "alcateia" e de caneco à mão, enquanto abraço aqueles que tenho a obrigação de amar e levar a felicidade sempre que desejo. Não sei se durarão pra sempre ou só dois anos e meio, só sei que duraram 14 anos e isso com certeza eu tenho. Além disso só tenho mais uma coisa, um horário.

Hora do nascimento: três e pouco da tarde.

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