quinta-feira, 13 de setembro de 2012

48ºC

A solidão me flerta cada dia mais, já nem me importo tanto com a sua existência. Chega uma hora em que você simplesmente começa a esquecer, um pouco de tudo e muito de cada um, pois querendo ou não as pessoas mudam e se mudam. Mudam-se pra longe, tão longe que não há fibra óptica ou satélite que as encontrem, mudam-se porque mudam e você já não as conhece mais. A solidão me devora cada dia mais, ela come de boca cheia, de modo que eu não consigo lembrar nem da cor de minha voz. Quando os outros mudam você percebe, mas olhando pra si vê que não viu e o que foi já não é mais, estranhar a si mesmo. Um estranho conhecido que canta sozinho por não ter com quem rir ou chorar, chorar não, chorar é para os fortes e no momento minha fraqueza não me permitiria tal regalia.

Calor, mas só calor lá fora, aqui dentro a temperatura ta bem mais baixa. Tão baixa que às vezes o coração falha e o cérebro é que tem de bombear todo o sangue sozinho, a cabeça esquenta e eu esqueço da parte esquerda do peito que às vezes dói. Não sei se dói pelo desuso ou se dói porque morre aos poucos, talvez a dor seja seu grito de alerta. Ou simplesmente de despedida.

48ºC, Ribeirão é realmente O Inferno.

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