sexta-feira, 21 de junho de 2013

Ticket to the moon

Eu nunca vou saber se o isolamento que eu venho mantendo me faz realmente bem. Quando eu finalmente consigo fazê-lo, por um bom tempo, o inusitado me surpreende. E o pior de tudo é que ocorre em minha reta mediana-final, faltando poucos dias pra descansar sem peso na consciência. Tenho que ficar em casa esperando por mais e mais exames e respostas vazias. As pessoas tem medo de determinadas palavras, como Voldemort e câncer. Esse medo vem da falta do conhecimento real de ambas,- o que não se aplica a Voldemort- acredito que eu conheço bastante a segunda, pois conincidentemente já perdi muito pra ela. A certeza que eu tenho apresenta resultados mais rápidos e concretos do que qualquer biópsia de tecido periférico, o difícil é explicar isso pra quem te ama e se preocupa. O que me preocupa agora é meu futuro, e só.

Ontem resolvi participar de uma das manifestações brasileiras, a proximidade de uma delas em relação à minha casa foi uma bela de uma coincidência e isso com certeza me motivou. A outra -nem um pouco bela- foi presenciar o atropelamento de muitos companheiros anônimos. Foi a segunda vez no ano em que eu ouço aquele som, o som do desespero. O pouco que vi no instante do socorro nunca será esquecido, posso resumir tudo em algumas palavras e mesmo assim não será suficiente pra descrever a curta cena: choro, fratura exposta, traqueotomia, massagem cardíaca, cor de sangue, cheiro de sangue, textura de sangue, gritaria, morte, gritaria e revolta. Lá se vai uma vida, sem aviso, uma vida que segurava um cartaz, que sorria, cantava, pedia, lutava e, principalmente, acreditava. Uma vida, assim como a minha e pensava em seu futuro, mas que acabou ali. O futuro foi encurtado a ponto de virar aquilo, uma bandeira ensanguentada.

Não sei quando comecei a tratar esse blog como diário e utilizar a primeira pessoa, mas eu juro que gostaria de parar. Odeio ter de escrever dessa forma, me sinto muito egoísta, parece um desabafo por desabafar. Quero voltar a escrever sobre as coisas que amo, mesmo aquelas que sempre me machucam, acho que ainda tenho essa habilidade. A certeza dessa afirmação eu confirmo pelo frio na barriga que certas pessoas ainda conseguem me causar com uma simples e sutil aparição. Maldito Instagram.

Na mesma hora que tenho vontade de seguir em frente, construindo projetos e finalizando as tarefas inacabadas, vem sempre depois aquele desejo de largar tudo. Largar de estudar, de se apegar, de se preocupar e deixar tudo ir. Ah, como eu invejo o Will Smith em algumas cenas do "I'm Legend", o astronauta a seguir falará mais do que qualquer outra coisa que eu escreva.


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