domingo, 16 de junho de 2013

Império

Soneto do amor total

"Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
 Hei de morrer de amar mais do que pude."



                                   Vinícius de Moraes

E assim Vinícius rouba parte de minha vida e escreve algo antes mesmo de eu ter nascido. Queria eu ter escrito tais palavras; queria eu ter dito tal verdade. Verdade tão pura, direta e sincera, minha verdade. Verdade suspeita e cruel, mas acima de tudo, uma verdade às vezes inexistente, porém, nunca uma mentira.
Não sei até quando textos e desenhos sanarão parte de tudo que sinto, isso é desesperador, depender de: papel, caneta, lápis, borracha, letras... Depender de tudo isso por não ter o que nunca chegou a conhecer de verdade. Desconhecidos, desencontrados, afastados. Daria meu lápis, minha borracha, caneta, meu papel e 4 letras por apenas um momento, o momento. Onde meus olhos encontrarão Os Olhos, isso silenciará o universo por um instante, talvez o coração pare e o estômago vire do avesso e congele junto com o tempo. A pele queimará, causando uma sensação paradoxal com a barriga gelada.

Queria eu ser um imperador e presentear a quem me importo com todo o meu império. Só assim será possível entregar as quatro letras das quais me refiro. Abriria mão de toda Roma pra não poder sentir tantos nós em uma só garganta, mas só posso me livrar de Roma apenas como um presente. Visto que minha Roma não nasceu de um acaso, mas da construção. Construção essa feita durante noites mal dormidas, projetos não concluídos e o pior dos males queimando no peito. Entregarei toda Roma, um dia.


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