sábado, 15 de junho de 2013

Irmão de Hygia

A vontade de expurgar esses pensamentos supera de longe todas aquelas que já tive. Não consigo ficar um segundo só sem ter que pensar em decisão. Tenho a impressão de que minhas carótidas estão entrelaçadas, a dor do tudo consome o nada que habita meu peito. Estou procurando a solução com os outros, mas não importa o que eu falo para todos e não importa o que todos falam para mim: hoje eu estou sozinho.

É difícil suportar esse entrave, tão devastador e tão desgastante. Não tenho que me distrair agora, preciso decidir. Uma palavra tão pequena de uma vida ainda tão pequena, mas que almeja a conquista do Mundo. O espaço que reservo para sonhar está agora interditado temporariamente. Os sonhos estão em greve, pois esperam melhorias administrativas, além de desejarem mais transparência de minha parte. Eles só querem um rumo a ser seguido. Enquanto isso não ocorre, estão em suas casas assistindo Faustão, vestidos com suas bermudas largas e sentados em seus sofás enquanto bebem suas cervejas mornas.

A serpente está tomando hábitos noturnos, impedindo meus sonhos e me encarando antes que eu adormeça. Nunca diz nada, só procura competir olhares comigo. O amarelo de meus olhos encontra o amarelo de seus olhos e não consigo dizer nada, acho que "desculpa" seria a palavra certa. Mesmo assim a desaponto e a ignoro, deito-me de lado e evito demonstrar qualquer raio de esperança. É quase um adeus, mas ela não desiste.

Minha mente está suja, meu peito está furado e meu corpo tem de carregar elefantes por aí. Ajudai-me Hipócrates, se serei ou não seu filho me diga agora.


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