sexta-feira, 17 de junho de 2011

Dear Insomnia

De um lado a outro, em upside down mode ON, cabeça totalmente coberta, corpo totalmente descoberto e pra finalizar um suspiro longo delatando desistência. Nessa curta frase descrevi 4 horas de tentativas ao sono. É, eu já tive insônia.

As pessoas no Colégio nunca entendiam o porquê de eu estar sempre tão animado com tudo e mesmo assim possuir olheiras, mas não eram olheiras feias com rugas e tudo mais, eram círculos um pouco mais escuros que a tonalidade da minha pele e tudo é mais escuro que minha pele. Uma descrição rápida seria o Paul McCartney de olho roxo, só que os dois olhos. Ter insônia era como ter algum super-poder: trabalhos feitos em noites viradas, provas estudadas faltando menos de 3 horas para sua aplicação, festas aproveitadas em 200% e filmes assistidos até os patrocinadores dos créditos finais, eram muitos benefícios. O duro era sentir que eu estava fazendo algo de errado quando via a preocupação no rosto das pessoas enquanto contava sobre.

Querer dormir e não conseguir. A única coisa que me restava de último auxílio era desenhar ou escrever, já perdi a conta de quantos desenhos fiz, mas sei exatamente quantos textos escrevi. Levantar pegar lápis e papel e simplesmente abrir a mente, fazer com que os riscos e sombras simplesmente caiam da cabeça às pontas dos dedos. Eu fazia isso porque as pessoas diziam que se eu tinha insônia por algum motivo maior e se eu tinha algum motivo eu devia descobrir, foi o jeito mais fácil e viável que encontrei. Escrever era diferente, eu sabia exatamente o que me incomodava e só precisava de um Título pra colocar tudo pra fora, mas nem tudo.

Deitar com um sorriso bobo no rosto e ter a certeza que aquele sorriso durará mais de 4 horas, com certeza essa era a melhor parte em ter insônia. O teto branco ganha estrelas mais brilhantes que qualquer sorriso que me iluda por aí, a cidade noturna inteira ronca com seus sons característicos, desde os latidos de cães até o som do trem sobre os trilhos tocando sua buzina longínqua. Mas tudo se abafa em questão de milésimos de segundo, o pensamento grita mais alto e tudo se volta a ele, mil textos poderiam ser escritos em meio a cem poemas, mas acordo com o som irritante do despertador quando quase tomo a coragem para tais tarefas.

Ainda tenho minhas noites de insônia, mas não são todos os dias, o que realmente sinto falta é de ter a dúvida do porquê ficar acordado. Sentir a emoção de cada dia em tentar descobrir algo que muitos poderiam dizer que estava na cara, mas eu prefiro continuar assim duvidando até de mim mesmo. Ter a certeza do porquê não dormir bem, sim agora eu a tenho. Ao invés de um sorriso bobo hoje me deito com os olhos fortemente cerrados com os lábios apertados e secos. Preocupação, agonia, ansiedade, incapacidade e frustração. A insônia de hoje é bem menos frequente que a anterior, mas com certeza eu sinto sua falta. Dear Old Insomnia...

Talvez seja Morfeu.

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