A voracidade com que o atual contexto me consome é espantosa. Me perco em um abismo de pura indecisão, rodeado por aceitações de devaneios que nem sei ao certo se são realmente isso. A vontade de mudar de rumo é tamanha que em resposta meu corpo sucumbe, assim meus olhos fitam o chão por um tempo nunca antes experimentado, a cabeça lateja descompassada ao coração.
Não estou considerando a insanidade ou o seu princípio, pois ainda tenho consciência da maioria de meus atos irracionais. O problema está na falta de análise plausível em que me encontro. Quem diria? Depois de tantos conselhos fornecidos, hoje estou importando-os em grande escala, o mercado externo domina a minha mente, pois falta sim um produto nacional de qualidade. Agradeço ao vento por todas as pessoas que ainda tenho.
Cheguei ao meu limite, agora preciso -mais do que nunca- de uma boa razão pra voltar atrás, pois sei a capacidade de insistência que conquistei. Nunca perdi tanto, esse tanto refere-se à número e à qualidade, sentado aqui por todas essas horas eu crio aos poucos dois indivíduos: um ser biológico e esperançoso e um racional que odeia perder. A cada derrota o segundo tende a crescer, acredito que agora o espaço já esteja pequeno para os dois. As opções são as seguintes: ou o biológico aprende a calcular ou o racional aprende com a derrota.
Meu bastão de esculápio perde a cor dia após dia, não dou muito tempo para a cobra que o reside decidir partir. Quando a fito, vejo em seus olhos amarelos a pena e uma leve decepção, talvez um dia ela me diga: "Acaba aqui uma relação praticamente nata; acaba aqui um sonho; acaba aqui uma pseudo-ilusão-familiar; acaba aqui a sua admiração por mim e de todo o conhecimento almejado; começa aqui o seu romance pelas engrenagens, uma mera aventura que destrói um amor fraternal, duradouro, quase concreto. Ele pode ter sido construído ou inventado, mas ele acaba aqui." Posso vê-la ao longe rastejando lentamente e sem olhar pra trás, lá se vai o complemento de meu bastão, bastão esse inútil que decido abandonar.

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