Voltei, voltei pra casa, mas as coisas estao diferentes como nunca. Diferentes dentro de mim, pois o resto esta da mesma forma de antes. Pode parecer idiota e cliche, mas acho que me perdi e nao consigo me encontrar de novo. Nao consigo mais receber o abraco da minha mae como antes.
Lembro de quando a abracava e as coisas simplesmente paravam, o peito aquecia e eu nao conseguia pensar em nada, era uma descarga. Uma descarga que absorvia todas as preocupacoes e tristezas de forma eficaz. Hoje esse abraco continua me fazendo bem, mas acho que esqueco de descarregar tudo, na verdade quase nao descarrego.
Queria poder morrer por uns anos e depois voltar. Talvez eu voltasse um pouco melhor, um pouco igual antes. Odeio o que estou me tornando: impaciente, arrogante e pessimista. A pior parte e reconhecer meus defeitos e nao poder fazer nada, eles simplesmente brotam as vezes, nao controlo. Paciencia, quero ao menos isso de volta.
Tenho uma bigorna no peito. Fico tentando ter as pessoas que nao estao proximas de mim, nao entendo porque insisto. Vou deixar que elas se despecam de uma vez, deixar que elas se tornem meras fotografias de bons tempos. Nao estou mais cansado, nao estou magoado, nao estou triste, e nao, eu nao enjoei. Nao quero mais que o amor seja pra sempre, o pra sempre dura demais. Devo guardar minhas cartas, ate as que eu nunca recebi.
Eu sei do que preciso. Preciso de um violao, de um bom beijo e preciso gargalhar com meus amigos. Preciso ter meu mundo de volta, voltar a viver nele, esse fora da minha cabeca e uma grande merda. Nao sei se conseguirei ser um cara melhor apos conseguir tudo isso, mas pensar em cada desejo me faz querer sorrir, isso ja basta.
Eu me decepcionei. Olhos amarelos-esverdeados com rajadas cor de mel, caidos, cansados, inexpressivos, tristes olhos de Paul McCartney. Meus olhos, minhas janelas quebradas.
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