Já não me importo tanto em caminhar sozinho pela noite, não importa a distância, o caminho sempre se torna mais curto quando me perco pensando no que mais anda me incomodando e confundindo ultimamente. Nos momentos mais importunos a barriga gela, a mão esfria, o olhar congela e o peito aquece, o som do vento chega aos meus ouvidos e em meu rosto um involuntário sorriso fechado surge lentamente de apenas um lado, como um Arlequim, mas que acabara de encontrar algo realmente feliz para si e não para os outros.
Acabo de encontrá-la, com seu lindo sorriso e olhos que brilham mais do que qualquer raio de sol de fim de tarde. São breves segundos em que me sinto tão bem quanto mal ao mesmo tempo, bem por saber o que realmente sinto e mal por chegar a conclusão de que estou apenas mais uma vez perdido em um pensamento.
Preciso voltar, mas o metrô que embarquei é sem volta e possui apenas uma parada, só me resta então esperar e me perder nesses vagões aleatórios. E quando desembarcasse só queria poder abraçá-la e sentir, só sentir, olhar em seus olhos e não dizer nada só ficar ali olhando e olhando, perdendo o chão e o céu, queria finalmente poder olhar algo sem ter que fechar os olhos.

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