sábado, 30 de outubro de 2010

Conto: Olhos Verdes

Nem todos os dias são como os outros (óbvio), mas nesse dia existia algo de diferente em mim e em tudo que me rodeava, não só pelo fato de estar frio e nublado, eu pressentia algo.
Em plena sexta-feira estou eu sozinho em meu modesto, autêntico e desarrumado quarto, de um lado três “quase pares” de tênis espalhados, de outro minha bola de futebol, nas paredes ao invés de pôsteres de bandas, apenas fotos e assinaturas de verdadeiros amigos. Já passava das duas da tarde e eu não tinha nada planejado, pensei comigo mesmo que devia sair a qualquer custo, mesmo que fosse sozinho para caminhar. Coloquei minha jaqueta e saí à procura de um tênis que possuísse um par a vista.
Lá fora o dia estava perfeito, o ar congelava os pulmões, o Sol estava escondido por detrás das nuvens e de alguma forma minhas pernas me levavam sem rumo. Quando me dei conta estava no centro da cidade, o lugar em que olho pra cima e só consigo enxergar o infinito. Caminhando com as mãos nos bolsos de minha jaqueta me deparo com a garota mais linda que um dia eu pudesse imaginar. Cabelos longos e negros como a noite, pele branca e lábios rosados. Ela conversava com algumas amigas e sorria... até o momento em que eu passei por elas. Meu maior medo e desejo era olhar para o lado e poder apreciar nem que fosse por um milésimo de segundo a sua beleza, e eu o fiz. Deparei-me com um olhar que não penetrava, atravessava, olhos que roubavam a cena e até a luz dos meus! E desse olhar surgia em sua boca apenas um leve sorriso de satisfação que me fez correspondê-lo sem pensar.
Apenas continuei caminhando e o resto do dia foi o mais normal possível, a não ser pelo fato de que quando eu fechava os olhos me deparava com os brilhantes e escuros Olhos Verdes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário